sábado, 9 de maio de 2015

A volta de Lace O`Malley


A nova aventura noir da Intempol
Em 2005, Osmarco Valladão e Manoel Magalhães produziram a versão em quadrinhos de The Long Yesterday, um conto originalmente publicado na primeira antologia Intempol, organizada por mim em 2000. Ambos foram indicados ao Prêmio HQ Mix como, respectivamente, roterista e desenhista “revelação”. A partir daí, a dupla vem elencando projetos e mais projetos, entre álbuns – O Instituto (Aeroplano, 2006), O Coronel (Nemo, 2012) – e webcomics, com destaque para a constante participação na antologia inglesa Aces Weekly, organizada por David Lloyd.

Apesar de tantos trabalhos diferentes, os dois sempre nutriram um carinho especial pela Intempol, a empresa de segurança temporal mais anti-ética e questinável de todos os mitoversos, e resolveram dar continuidade às aventuras do agente Lace O`Malley, herdeiro dos detetives hard boiled criados por Dashiel Hammett e Raymond Chandler. O resultado dessa nova incursão no tempo é Mau Yee, que reune Lace a seus parceiros Thaller e Reno, todos devidamente recrutados pela Intempol, para resolver uma encrenca em Chinatown, nos anos 20. Quem e o que eles enfrentam é surpreendente e, até agora, um mistério, mas posso adiantar que envolve um perigo ancestral e, claro, um belo paradoxo que pode esculhambar com a História como nós precisamos dela, afinal, trata-se de uma história sobre caras durões, de maus bofes e que viajam no tempo. Delicadeza não é o forte deles.

Então é isso. O`Malley está de volta e meus parceiros me permitiram mostrar algumas páginas aqui em primeira mão. Quanto ao resto da história, bem, eu poderia contar mais para vocês, mas teríamos de eliminá-los da linha temporal e isso faz uma bagunça danada. Aproveitem!

              

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Reis de Todos os Mundos Possíveis no Argos 2014

O já tradicional prêmio Argos, dedicado à produção brasileira de literatura de cunho fantástico, incluindo fantasia, horror e ficção científica, é resultado da votação direta dos sócios do CLFC, Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil, e busca agraciar os melhores romances e contos de gênero fantástico publicados em 2013.

Este ano, a cerimônia de entrega migrará de São Paulo para o Rio de Janeiro, sua cidade natal, e terá lugar no Planetário da Gávea, em 18 de outubro, a partir das 14h. A entrada é franca e quem comparecer poderá descobrir quais, dentre os 13 autores indicados nas duas categorias, Melhor Romance e Melhor Conto, foram considerados os mais bem realizados do ano anterior pelos votantes.

O Projeto Intempol estará no páreo, com Reis de Todos os Mundos Possíveis, de Octavio Aragão, concorrendo dentre as narrativas longas. 




terça-feira, 22 de julho de 2014

The Long Yesterday: o passado condena, mas o futuro redime

O criador da Intempol, retratado por Osmarco Valladão



Bem-vindo, novato, eis seu crachá de visitante. Mantenha-o à mostra durante a visita. 

Não toque em nada. Segurança é tudo.

Sabe como é, a história não é fixa e qualquer modificação, por menor que seja, muda tudo. Você não gostaria de exterminar a si próprio inadvetidamente. Deixe-me guiá-lo por estes corredores brancos.

A partir de 1998, o porvir será interessante, com alguns de nossos conceitos sobre fluidez cronal e realidades alternativas caindo no senso comum. No cinema, haverá a revelação da Matrix, dos Homens de Preto e de uma coisa chamada Avatar, mudando nossa maneira de ver o mundo e revelando alguns segredos ao público. Observaremos o amadurecimento de um evento na Internet chamado “redes sociais”, que reunirá pessoas em tempo real, o tempo todo. 

Tempo, tempo, tempo.... sempre ele. No Brasil haverá a ascenção de uma presidenta e nos Estados Unidos, um líder chamado Obama. Curiosamente – e você vai pensar que estou de brincadeira, mas a história é irônica – também aparecerá um líder terrorista chamado Osama, que, munido de dois aviões e alguns avoados, derrubará duas torres. Tudo isso, recruta, acontecerá num piscar de olhos, enquanto seus dedos digitam as Caixas Registradoras e passam os Cartões Cronais, equipamento padrão da Intempol. 

Em 1998 suge – sim, acostume-se com as mudanças abruptas dos tempos verbais em uma conversa – o primeiro sinal da Intempol, num conto chamado “Eu Matei Paolo Rossi”, que conta subversivamente a verdade por trás de todas as Copas do Mundo. Pois é, sabe aquelas teorias conspiratórias que enxameam as fofocas diárias? São todas verdadeiras. Todas, até as que você sabe que são impossíveis. 

Cada um dos contos da série Intempol, escritos por autores diversos, revelam realidades tão palpáveis quanto críveis que chamamos de “Mitoverso”. Dentre esses contadores de histórias, está Osmarco Valladão, pai de Lace O’Malley, um detetive chandleriano em uma Hollywood de sonhos e sandices, de clones temporais e planos megalômanos. O conto The Long Yesterday, que conta a aventura de um homem de ação recrutado por uma empresa dedicada à adequação da história aos seus propósitos, foi  publicado no mítico ano 2000, dentro da antologia Intempol, e virou um álbum em quadrinhos em 2005.

A narrativa roteirizada por Valladão e desenhada pelo prolífico e legendário Manoel Magalhães recebeu indicações para prêmios, mas desapareceu rapidamente das livrarias, talvez devido à ação de forças externas (cof... cof...), deixando um gosto de irrealidade, de lembrança de um sonho à beira do despertar. A Intempol continua a aparecer eventualmente – serão publicados, até 2014, quase 50 contos, dois romances, dois albuns em quadrinhos e uma webcomic – mas O’Malley e sua gangue sumiram por tempo demais. É hora do retorno. 

Seja bem-vindo, calouro, e participe do ressurgimento do detetive mais durão de todos os tempos, no Catarse.

Sim, isso é uma convocação. E uma celebração.

Alguns brindes para os colaboradores. Sim, isso é com você!




quarta-feira, 9 de julho de 2014

Bolão – Conto de Luiz Felipe Vasques

Julho de 2014. Mais uma Copa do Mundo. Ou talvez seja sempre a mesma.

É muito bom saber que, mesmo depois de 14 anos desde a publicação da primeira história nesse multiverso maluco, Intempol ainda inspira contos divertidos e antenados. E, como não podia deixar de ser, este aqui, recém-produzido por Luiz Felipe Vasques, assim como o primeiro publicado no agora diáfano 1998, fala sobre as dores de um jogo perdido. O tipo de ferida que jamais se fecha.


***

- 7 a 1, pode por aí. 

Osmar olhou para a estagiária:

- Brasil? Otimista, hein, garota?

- Não, não: Alemanha.

Osmar balançou a cabeça, mas não estava convicto. Despacharam Portugal por 4x0. Mas uma vitória assim…

- Por que? – Insistiu em saber.

- Ah, a camisa deles é do time do meu namorado. – Revelou. Osmar ainda assim deu um sorriso simpático, apesar do que realmente achava. 

- Mas por que a 1?

- Ah, Brasil, sabe como é, tem que acreditar.

Balançou a cabeça novamente. Cabecinha de vento. Mas foda-se, o dinheiro era dela, ela era maior de idade. Anotou a aposta.

7x1. O 1 havia entrado quase como se o oponente se desesperara nos últimos 15 minutos em ao menos dar ao anfitrião as chances de um gol de honra. Honra de quem tem a mãe na zona, é claro. O fantasma de 50 era substituído pelo de 14. 14 reverberava nos corações e mentes incrédulos de gerações, a partir daquele momento. O país ainda haveria de encontrar o segundo fantasma de 50, mas isso era outra história. Até lá, 14 era o novo ano terrível.

– Que cara é essa, Osmar? – Como se o outro não soubesse.

– Porra, perdi a maior grana no bolão… 

– Ainda bem que eu não aposto nessas merdas… – Algo estava errado. – Peraí, perdeu? O bolão não foi desfeito? Alguém acertou o placar?

– E pra uma garota. A Renatinha, estagiária lá da Marinete. 7x1 cravado. Ainda disse que apostou na Alemanha porque a camisa lembra – 

– A camisa do time do namorado. – Ecoou o outro, que atendia por Fraga. 7x1, e agora ainda essa. Puxou o celular. Osmar revirou os olhos, um “putamerda” mal murmurado. O celular atendeu: – Ô, Deodato, como é mesmo a história da Adriana tua filha que ganhou uma aposta no trabalho…?

Eventos como Copas do Mundo sempre são mais tensos. Facilmente alvo de quem quer fazer muito dinheiro, mexer em política, fazer o diabo. A Empresa estava lá para que elas fossem e permanecessem como são, dentro dos acordos anteriormente estabelecidos. Ainda que não se compre ou se venda uma Copa para sempre: mas isso era decisão das mais altas hierarquias, e dificilmente o resultado muda.

Davi era um ratinho. Não queria forçar a queda de governos, entrar na bolada do superfaturamento de estádios, nem grandes esquemas complicados e fáceis de serem vistos. Bolões entre funcionários podiam render uma boa grana. Nem precisava procurar emprego, bastava namorar a garota certa em cada oportunidade. Ser um Agente da Intempol facilitava muito este esquema. Nem precisava sair cometendo LTAs. Mas Davi também era burro. Comer a estagiária da Marinete e achar que podia dar desfalque nos colegas de trabalho era forçar a sorte. Forçar a sorte em um momento sensível, ainda por cima.

Por isso, a coronhada do rifle de assalto que recebeu nos dentes foi bem merecida, pensava Osmar com um sorriso de hiena, enquanto arrastava o desfalecido desdentado para a prisão. A maleta na outra mão pesava, com o dinheiro. Pensou se haveria tempo em substituir Davi no golpe com a corporação que a filha do amigo de Fraga trabalhava. Fora um bom dinheiro. Ainda de quebra comeria uma gostosinha. Riu-se, negando com a cabeça. Não era tão burro assim.

Ou era?

Rio de Janeiro – 9/07/14

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Três esboços de Até Que Enfim é Sexta-Feira, por Manel Fogo


 
Guido numa situação... desconfortável.


É, o guri é mesmo fogo.

Ao menos é o que julgo ao ver os esboços de páginas de nossa nova HQ, Até Que Enfim é Sexta-feira, continuação do lançamento de 2011, Para Tudo Se Acabar na Quarta-Feira

Pois é, as aventuras de Guido continuam, dessa vez na tumultuada década de 1970, entre ditaduras, discotecas e copacabanas.  É, nosso anti-herói resolveu construir um futuro no passado.

E mais não digo.

Nah, digo sim. Essa história é uma baita experiência, pois pela primeira vez estamos criando a trama a quatro mãos, não apenas com palpites meus nos desenhos, mas com muitas sacadas do Manel no texto, sugerindo ideias e conceitos que eu jamais pensaria.

Quem gostou do álbum anterior vai mergulhar de cabeça. O problema será, depois que der uma olhada na arte finalizada, não querer voltar à surperfície para respirar.

O sono tranquilo de Lovecraft.
Bierce versus Crowley. Que vença o pior.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

As aventuras intemporais de Clandestina Candente de Cosa

Pelas mãos de Gérson Lodi-Ribeiro, um dos autores presentes na antologia original de 2000, um história da Intempol foi recém-publicada na coletânea Histórias de FC de Carla Cristina Pereira, pela Editora Draco.

A criatura e o criador, em capa sugestiva de Erick Sama

Trata-se da noveleta Clandestina Candente de Cosa, que, além de mostrar as desventuras da protagonista, presta uma homenagem a diversos autores que ousaram viajar pelo(s) tempo(s) em seus textos literários.

Essa jornada de Lodi-Ribeiro pelos interstícios da agência temporal mais brasileira de todos os mundos possíveis já havia sido publicada no falecido site da Intempol, mas está de volta revisada e atualizada.

Quem não leu, corra antes que os últimos exemplares desapareçam num limbo espaço-temporal.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O projeto da capa de Intempol: Para tudo se acabar na quarta-feira


A criação e confecção da capa de Quarta-feira form processos a parte e demorados. A HQ já estava nos finalmentes quando decidimos pensar a ilustração, as cores e a tipografia.

A primeira ideia que nos ocorreu foi fazer um cartaz de blockbuster dos anos 70, ou nos moldes dos trabalhos do mestre Benício.

Manoel fez alguns estudos:



Infelizmente, apesar de mostrar todos os elementos principais da trama em composições arrojadas, não era bem isso que esperávamos como “efeito”. Então comecei a pensar se o “Carnaval”, tão presente na trama, não deveria ser evidenciado.

Desenvolvi o rough abaixo:


Ali estavam o carro alegórico, a passista, o efeito especial e os protagonistas, mas não claramente, em silhueta apenas.

Também não funcionou. O lettering, por outro lado, estava começando a tomar forma e resolvi mantê-lo no rascunho seguinte, mas com um swing “anos 70”.


O caminho, afinal, parecia estar mais claro - ou escuro, se levarmos em consideração a paleta de cores escolhida. No final, depois de muita discussão sobre anatomia e de como se arremessa uma granada (?!?!?), chegamos à uma proposta colorida.

Então, depois de uma verdadeira faxina, decidimos retirar todos os elementos que causavam ruído, voltamos com o conceito de cartaz de filme de ação para a quarta-capa (com o carro e os outros personagens, sendo que os soldadinhos migraram para as “orelhas” da capa) e fechamos no que seria a capa definitiva, já com desenhos de Manoel.

O logotipo de Osmarco Valladão ganhou uma tarja preta e “raios elétricos” substituíram os brilhos indefinidos de antes. O letreiramento também ganhou um update, ficou mais condizente com o clima de agressividade da história, e o alfabeto de apoio buscou aliar personalidade e discreção. O logo da Draco foi posicionado à direita inferior, ponto nobre da capa e consideramos o trabalho pronto.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A noite dos tempos: lançamento de Dieselpunk e Intempol: para tudo se acabar na quarta-feira

Os autores e o fim do estoque. Foto de Cláudia Quevedo Lodi
No dia 1º de dezembro de 2011, a Blooks Livraria, em Botafogo, foi palco de mais um evento ligado à literatura de gênero brasileira. Desta vez, num lançamento duplo da Editora Draco: a antologia Dieselpunk, organizada por Gerson Lodi-Ribeiro, e o álbum de HQ Intempol: para tudo se acabar na quarta-feira, da dupla Octavio Aragão (que sou eu!) e Manoel Ricardo. À mesa, apenas Gerson Lodi-Ribeiro e eu assinávamos os livros, já que o ilustrador capixaba Manoel não pôde comparecer.

A noite foi concorrida, com mais de sessenta pessoas percorrendo os corredores da livraria sob o olhar de Elisa Ventura, mix de empresária e agitadora cultural, que sempre abriu as portas da Blooks para eventos do porte da SpaceBlooks e diversos lançamentos.

Dentre os presentes, designers, acadêmicos, jornalistas e, claro, quadrinistas decidiram dar uma chance às aventuras movidas a diesel presentes nas noveletas da antologia literária e aos tiroteios intemporais da polícia cronal, em sua segunda investida em formato Graphic Novel.

Com texto de Octavio Aragão e desenhos de Manoel Ricardo, essa é a quarta história em quadrinhos baseada nas aventuras dos agentes intemporais surgidos na antologia de contos Intempol, lançada em dezembro de 2000, pela editora Ano Luz [as anteriores foram a webcomic A Mortífera Maldição da Múmia, de Carlos Orsi e Kalango Produktado, o álbum colorido The Long Yesterday (Comic Store, 2005) e Belvedere Blues (uma história curta publicada na revista Wizard, em 2006), ambas de Osmarco Valladão e Manoel Magalhães]. O que, porém, diferencia esse álbum das demais aventuras quadrinísticas da série é que, pela primeira vez, o cenário é brasileiro.

Estiveram presentes, entre diversos outros, convidados do naipe de Athos Eichler Cardoso, o maior conhecedor da obra de Angelo Agostini, pioneiro quadrinista ítalo-brasileiro, a doutora e pesquisadora Profª Rosza VelZoladz, o quadrinista Mig, parceiro de Ziraldo nas diversas séries do Menino Maluquinho, o colunista de O Globo Henrique Koifman, Carlos Hollanda, pesquisador, músico e professor, o designer e professor da EBA-UFRJ, Celso Guimarães (inspiração para um dos personagens da série Intempol e que foi devidamente apresentado à sua contraparte ficcional), Marcelo Serpa, publicitário, cientista político e professor da ECO-UFRJ, e o casal Glória e Amaury Fernandes, designer e coordenador de graduação da ECO-UFRJ. O pesquisador e quadrinista Carlos Eugênio Patati levou a filha, que compôs com meus filhos e os de outros convidados um inusitado e energético elenco infantil.

Mãos à obra! Foto de Cláudia Quevedo Lodi
Manoel Magalhães, quadrinista ganhador do prêmio Harvey 2010, ilustrador e co-autor das Graphic Novels Intempol: The Long Yesterday e O Instituto, ambas em parceria com Osmarco Valladão, também compareceu, acompanhado pelos designers José Antônio, programador visual do Fórum de Ciência e Cultura e professor da PUC-RJ, Ana Carreiro, Marisa Araújo e Paula Wienskoski, designers da Editora UFRJ, Lila Montezuma, designer do Fórum de Ciência e Cultura e a artista plástica Christina Barretto.

Do âmbito da ficção científica brasileira, o mais novo antologista da praça, Luiz Felipe Vasques, o multiartista Alexandre César, a volta de um dos decanos do CLFC, Rubenildo Pithon de Barros, a historiadora, escritora e publisher Ana Cristina Rodrigues, o colega hyperfanático Rafael Luppi, o amigo Professor Bruno, o jornalista Daniel Ribas, Pedro Barros, e o Homem Renascentista da FC brasileira, músico, poeta, escritor e antologista Braulio Tavares.


Também compareceram amigos dos autores de diversas áreas, desde o núcleo familiar, passando por alunos de hoje e ontem, até alguns do tipo “long time no see” de infância e adolescência que deram o ar da graça. Infelizmente, nem todos saíram com seus exemplares nas mãos, pois em pouco mais de sessenta minutos tanto Dieselpunk quanto Quarta-feira se esgotaram, mas isso não impediu a confraternização e boas horas de risadas, conversas e até uma gravação impagável para o podcast Quadrimcast, com as participações dos amigos Leandro Laurentino e esposa, Leo Spy e Nikita.

Resumindo, uma noite para não esquecer! Bom vinho, bons amigos e bom humor.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

E depois do Rio, Vitória!

O ilustrador Manoel Ricardo deu o toque pelo Facebook: dia 14 de dezembro tem lançamento de Para Tudo Se Acabar Na Quarta-feira na capital capixaba. Segue a mensagem:

“Não marquem nada pro dia 14 de Dezembro, hein? LANÇAMENTO da história em quadrinhos Para Tudo se Acabar na Quarta-Feira (Octavio Aragão e este ruivo desenhista que vos tecla) , no Hortomercado (Praia do Suá), com show da Babulina Sambagroove! Pra quem acha que não tem nada a ver samba com quadrinhos, compareça e comprove por A mais B!”




Só para deixar registrado, Manoel fará o que eu sempre tive vontade: misturar um show com um lançamento. Show de bola, guri!

sábado, 19 de novembro de 2011

Para Tudo Se Acabar na Quarta-feira em quatro vídeos

Primeiro, o registro de Leandro Niero sobre o processo de produção da graphic novel. Eu e Manoel Ricardo falamos dos dois lados da Quarta-feira (no Rio de Janeiro e em Vitória).


Em segundo, minha fala durante o evento Invisibilidades do Itaú Cultural, com curadoria de Fábio Fernandes.


Em terceiro lugar, a hilária conversa de Manoel com um fã que o confundiu com Maurício de Sousa, durante o Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte.


Ah, sim, e por último, a reprise do booktrailer de Para Tudo Se Acabar na Quarta-feira, que contou com música de Adelmar Reis, cores de Fábio Birous, edição e montagem de Gerusa e Gabriela Maluf.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Data do lançamento carioca de Para Tudo Se Acabar na Quarta-Feira

Cenas da HQ, no traço de Manoel Ricardo

Reservem um espaço na agenda. Depois do lançamento no FiQ, que está acontecendo a partir de hoje, em Belo Horizonte, o álbum Intempol: Para tudo se acabar na quarta-feira, terá uma noite de autógrafos no Rio de Janeiro.

No dia 1º de dezembro, a partir das 19:00hs, o ilustrador Manoel Ricardo, o escritor, astrônomo e organizador Gérson Lodi-Ribeiro e eu estaremos recebendo os amigos e o público na Blooks Livraria, parceira e sede do SpaceBlooks, na Praia de Botafogo, nº 316, ao lado do Unibanco Arteplex.

Capa de Dieselpunk, por Erick Sama
Na mesma noite, será lançada a antologia Dieselpunk, organizada por Gérson Lodi-Ribeiro e publicada pela Draco, com noveletas do próprio Gérson, Jorge Candeias, Carlos Orsi, Antônio Luiz da Costa, Cirilo Lemos, Tibor Moricz, Hugo Vera e Sid Castro. Meu conto O dia em que Virgulino cortou o rabo da cobra sem fim com o chuço excomungado está presente na antologia, logo, também considero esse um livro especial.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Uma vida entre quadros (ou “Apenas um molequinho que gosta de quadrinhos”)




As primeiras HQs e o álbum de estréia (fotos Osni Aragão e Erick Sama).


Hoje, com o nascimento do álbum em quadrinhos Intempol - Para tudo se acabar na quarta-feira, chegou ao fim um namoro de mais de quatro décadas (na foto ao lado eu contava cinco anos de idade).

Trata-se de uma história em quadrinhos escrita por mim e desenhada por Manoel Ricardo, esse menino que está tão distante em tantos aspectos e que, ao mesmo tempo, parece um irmão caçula.

Não posso reclamar da vida. Ser um estreante de 47 anos nessa mídia que adoro é tão emocionante ou mais do que se tivesse acontecido na adolescência ou nos loucos 20 anos.

O namoro acabou. Virou casamento.
Há loas no álbum, sim, mas preciso falar de muito mais gente que foi responsável por este momento e que não tive como agradecer na página impressa. Muito obrigado ao Manoel, que me aturou por tanto tempo; ao Erick Sama, que acreditou no projeto; à Luciana que é meu norte; ao Pedro e ao Gui, que me inspiram; ao Osmarco, pelos longos papos desde 1986 e pelo logotipo bonito; ao Fábio, parceiro em tantos brainstorms; ao Ivo, o melhor amigo distante que tenho; ao Gérson, o Grande Patrono; ao Carlos, ao Carlos e ao Carlos (cada um sabe quem é, mas se não sabem, adivinhem); ao compadre Amaury; ao Gilberto, pelas tardes inesquecíveis que deram origem a tantas histórias ainda não contadas; ao Manoel M, ao Tibúrcio e ao Tarso, caras que me impressionaram com o talento e o traço e de quem fui parceiro em infinitos mundos alternativos; ao João, ao Gitto e ao Adelmar, por serem a melhor banda do mundo; aos amigos que fizeram minha história, Cláudio Jorge, Ruy, Cláudio e Eduardo; e a todos meus alunos passados, presentes e futuros parceiros, de quem tanto me orgulho (sim, estou falando de vocês mesmo).

E, pai, principalmente a você, a quem devo tudo, Tintim por Tintim.




sexta-feira, 30 de setembro de 2011

A capa definitiva de Para Tudo Se Acabar na Quarta-feira

A mais nova aventura da Intempol, Para tudo se acabar na quarta-feira, que mistura samba, suor e sangue, já foi divulgada pela nossa nova casa editorial, a Draco. Eis aqui o primeiro resultado da parceria entre Manoel Ricardo, Erick Sama e este escriba, que verá a luz do dia, primeiro em versão virtual, disponibilizada a partir de 09/11, e um mês depois, em versão impressa.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A Mortífera Maldição da Múmia, webcomic por Carlos Orsi e Calango Produktado

Agora que estamos perto de uma nova HQ em formato álbum da série Intempol, parece uma boa ideia recordar que a primeira incursão da série nos quadrinhos foi este arrojado projeto baseado no conto A Mortífera Maldição da Múmia, de Carlos Orsi, publicado originalmente na antologia Intempol, em 2000.

Trata-se de uma webcomic produzida pela Calango Produktado, um conglomerado de artistas e animadores que, ao se apropriar das dicas e insights do quadrinista Scott McCloud, desenvolveu aquela que é considerada pelo pesquisador Edgar Franco, autor do livro Hqtrônicas: do Suporte Papel à Rede Internet, como a única experiência brasileira em HQs para a Internet que utiliza até o limite a técnica narrativa da "tela infinita", com o leitor seguindo a narrativa ao desenrolar a scroll bar na horizontal ou na vertical.


segunda-feira, 18 de julho de 2011

A Guerra dos Imoles, 10ª parte - uma noveleta de Roberval Barcelos

Terceira batalha

Os três estavam prontos, apesar de Tadeu se tremer de medo e se indagar a quem ele fez tanto mal na Empresa para cair numa missão assim, enquanto Giácomo estava apenas um pouco menos nervoso, afinal era sua primeira batalha contra outros crononautas bem armados. Já Roberto, em pleno início de outro ciclo de explosões de ódio, pensava em quantos mataria para resolver essa crise e voltar para casa. Eles seguraram a barra do terno de Franco e esperaram, mas nada aconteceu.

– O que foi agora? – Roberto estava novamente irritado.

– Não sei – Franco mal podia acreditar em quantas vezes já passou por isso desde que chegou a esta época.

Antes sabia de tudo. Antes...

– Já sei – interveio Tadeu. – Vamos ter que ir andando.

– Esperem mais um pouco – pediu Franco.

Segundo depois sentiram uma leve vertigem e viram-se no pé de uma montanha, atrás de árvores enormes, próximos a um rio.

– Eles estão aqui – avisou Franco – vamos nos aproximar do topo em dois grupos: Tadeu vem comigo,
Roberto e Giácomo...

De repente, Franco sentiu uma mão forte segurar seu pulso esquerdo e erguê-lo no ar. Foi tão inesperado e forte que Franco não conseguiu sequer esboçar uma reação. Seria um ataque de Akim? Não! Era Exu, só que desta vez aquele sorriso parecia sarcástico. Ao se refazer da surpresa, notou que estavam flutuando no ar, diante dos olhos dos três agentes aparvalhados. Desesperado, Franco gritou para que o deus o soltasse, e, como não foi atendido, tentou golpeá-lo com a mão direita. O deus segurou o soco.

– Que diabos está havendo com ele? – Tadeu e os outros estavam surpresos, afinal os três viam somente Franco flutuando no ar e se debatendo.

– Parece estar lutando com alguém – Giácomo especulou.

– Pare de chutar e use a Caixa! – sugeriu Roberto.

– Não tem ninguém lá com ele – Giácomo afirmou – Nem com rastreador espectral ou com o rastreador de calor consigo identificar alguém.

Roberto, irritado, arrancou a Caixa de Giácomo e ligou os rastreadores ele mesmo. Também não viu
ninguém com Franco.

– Esse merda tá é maluco! – Roberto sentenciou, devolvendo a Caixa a Giácomo.

No alto, Franco sentiu que o deus soltou sua outra mão e começou a retirar seu anel. Em desespero, tentou novo golpe, mas, como foi inúitil, sacou a Terminator. Não encontrou ângulo para atirar.
Começaram a girar no ar e desapareceram bem na frente dos agentes. Roberto reclamou:

– Filho da puta! Se mandou na maior!

– Ele nos largou aqui para morrermos! – Tadeu já entrava em pânico.

– Vamos seguir com o plano – disse Giácomo – deve ter acontecido alguma coisa.

– Tá, maluco! – Roberto gritou. – E qual é o plano?

– Ué? Pensei que você soubesse.

– Tudo bem! Vamos sem plano mesmo!

– Vamos para onde? – Tadeu indagou com a voz trêmula.

Roberto virou-se e deu um murro na cara de Tadeu, que caiu no chão.

– Não vem de viadagem comigo não! As ordens são para matar o máximo deles. Se possível, todos. Sacou?

Tadeu se levantou rapidamente com a Terminator em punho e encostou-a na cabeça de Roberto, dizendo com os dentes cerrados:

– Vai, babaca histérico, dá outro soco!

– Humm... enfim um pouco de macheza. Nem tudo está perdido.

– Para de fingir que é esperto e tenta novamente!

– Olhe para baixo! – Roberto pediu, com um sorriso irônico.

Tadeu olhou e viu a Terminator dele encostada em sua barriga. Sem ação e se sentindo desmoralizado, ele abaixou sua arma. Roberto fez o mesmo e disse:

– Agora que voltamos a ser amigos, vamos lá em cima detonar Akim e sua corja.


* * *

Um oficial se aproximou de Linterbaun e alertou:

– Senhor, detectamos três elementos armados se aproximando do nosso perímetro de segurança.
Linterbaun franziu o cenho e indagou:

– Que tipo de armamento eles possuem?

O Oficial passou a língua nos lábios e respondeu:

– Pistolas com mira laser, senhor. Mas o computador detectou outros modelos não classificáveis.

– O General vai gostar de saber disso.

– E nós, senhor? O que faremos?

– Mande três homens para interceptá-los. Não se preocupem com baixas, apenas evitem que se aproximem.

– Sim, senhor! – e prestou continência.
* * *

Tadeu, Roberto e Giácomo estavam próximos do lugar onde deveriam encontrar dois ou três sentinelas, mas o que viram foi uma câmera voadora que rastreava o lugar.

– Joguem-se no chão! – Roberto ordenou, com a experiência de quem foi Agente de campo durante
dezesseis anos.

A câmera em forma de morcego pairou sobre eles e prescrutou com a lente – ou sensor – todo lugar. Sabia que em breve eles seriam descobertos.

– Atacar! – Roberto gritou e levantou-se, destruindo a câmera com um disparo certeiro e saiu correndo até uma grande árvore, buscando abrigo.

– Esse é o plano? – Tadeu perguntou.

– Deve ser.

– Vou é cair fora!

– Acho que não – Giácomo disse e apontou a arma para a cabeça de Tadeu, que nem piscou.

– Todo mundo vai me apontar uma arma?

– Só se sentirmos que você quer desertar.

– Eu quero é sobreviver. A Terra já era, o futuro não existe e temos que enfrentar militares do século 25 sem ao menos termos um plano.

– Mesmo assim ninguém vai desertar. Entendeu?

Tadeu nem precisou responder. Vários disparos foram feitos na direção deles.

Jogaram-se no chão e rastejaram em direções opostas. Tadeu afastou-se o mais que pôde de Giácomo e levantou quando sentiu-se seguro o bastante para correr sem levar um tiro. Atrás dele, o tiroteio se intensificava.

No fundo de sua alma, amaldiçoava a Franco e toda Intempol.

Continua

sexta-feira, 1 de julho de 2011

A Intempol é caso de polícia: entrevista múltipla com alguns autores da série

Entrevista realizada em 2006 por Carlos Lopes, um dos baluartes do rock nacional e grande fã de ficção científica, e publicada no segundo número da revista virtual O Martelo. Foi a primeira vez em que boa parte do elenco de autores presente na antologia Intempol respondeu em conjunto a uma entrevista.

Carlos Lopes – Você já ouviu falar da Intempol? Não? A Intempol é uma agência policial vinda do futuro – brasileiro – , cuja missão é impedir que os vários meliantes desse universo alterem a nossa linha do tempo, e consequentemente o nosso passado. (Ou futuro?) Para explicar essa história, foram convocados os criadores dessa empolgante série (que pode ser encontrada em livros e HQs), que colocou o Brasil no panteão da ficção científica de primeira linha. São vários os membros dessa comunidade de escritores, mas as respostas desses cinco agentes (Octavio Aragão, Fábio Fernandes, Gérson Lodi-Ribeiro, Osmarco Valladão e Carlos Orsi) não decepcionarão os futuros estagiários.

Sempre achei ficção nacional um pastiche. Claro que poderia falar a mesma coisa do rock brasileiro, o que não estaria muito longe da verdade... Desde séculos passados (bem antes de Machado de Assis) há uma máxima no Brasil de inserir o deboche nacional dentro de um contexto “internacional” para legitimar . Talvez esse processo tenha chegado ao máximo nas chanchadas da Atlântida e no Tropicalismo. Como vocês veem a associação (ou transição) da brasilidade de um Macunaíma com a ficção "séria" como Solaris?


Octavio Aragão – Não acho que Macunaíma seja "menos sério" que Solaris. Cada um é "sério" a sua maneira (ou "irônico", dependendo do ponto de vista). Acho que nossa possibilidade de diferencial dentro da ficção científica seria não apenas em termos temáticos, mas na forma. Temos maneiras diversas de contar histórias, de "fabular", como preferem o Braulio Tavares e o americano Robert Scholes, que tem um livro ótimo sobre isso, o Structural Fabulation. Fico sempre pensando que a melhor FC nacional não seria aquela que busca reprisar o que é feito pelos anglos - e que ignora solenemente a produção de outros países, como França, Espanha ou mesmo a Rússia, como o citado Lem - , mas que procura uma mescla, um somatório entre elementos científicos ou fantásticos que são próximos de nós e uma linguagem rica, que é característica da literatura brasileira. O deboche é uma vertente válida, mas apenas uma delas. No caso da Intempol, o objetivo inicial era fazer algo mais leve, diferente da pretensão seriosa que se via na FC brasileira, encarando de frente a característica de produto. A Intempol é produto, sim, sem vergonha de ser feliz. No decorrer do processo da confecção do livro é que percebemos que poderíamos ter atingido um alvo diferente do pretendido inicialmente e o tal “produto”, quem sabe, poderia ser um pouco mais que mero entretenimento. Mas gosto de manter os pés bem plantados no chão. A Intempol "literária" é uma possibilidade, não a única. O grande lance aqui é contar histórias em diferentes mídias, seja pela literatura, seja pelos quadrinhos, por jogos ou quaisquer outras possibilidades. Uma FC que não leva em consideração o tempo em que vive, e a integração midiática, está condenada à irrelevância.


Fábio Fernandes – Acho que essa associação não precisa existir. Quando acontece, como em Piritas Siderais, do Guilherme Kujawski, ou em Santa Clara Poltergeist, do Fausto Fawcett (dois clássicos da FC cyberpunk brasileira dos anos 1990 que se encontram, infelizmente, esgotados), é ótimo, sensacional. Mas fico pensando se já não está na hora de nos desvincularmos dessa obrigatoriedade do rótulo de "macunaímico". Eu preferiria ser "mancunaímico", e me mancomunar com o que se faz de melhor na FC internacional, que é o que (na minha opinião) a Intempol conseguiu - tanto nos contos debochados quanto nos sérios.


Osmarco Valladão – Essa questão pode ser a mais importante do projeto Intempol. Como trabalhar com elementos de um universo ficcional que é basicamente americano e tentar ter uma "voz" brasileira, sem cair na paródia ou no plágio. Eu comparo com o momento nos anos 20, nos EUA, quando a tentativa de adequar a literatura policial à realidade daquele momento acabou criando a chamada literatura "noir". A Intempol é parte desse imensa "pesquisa" de uma linguagem brasileira para escrever fc.


Gérson Lodi – A brasilidade de um Macunaíma é a brasilidade dos tempos da Semana de Arte Moderna de 22 (do século passado!). A brasilidade do tempo dos nossos bisavós e, talvez, dando uma colher de chá, do tempo dos nossos avós. Mas é só. A brasilidade da FCB atual, onde se destaca o Projeto Intempol é a brasilidade do século XXI, aquela que compete de igual para igual aqui e lá fora e que não precisa do deboche para se afirmar, embora não abra mão do bom humor tipicamente brasileiro.


Carlos Orsi – Sempre achei o recurso brasileiro à paródia uma saída covarde, como se nas entrelinhas se estivesse dizendo "não consigo fazer igual, não consigo fazer melhor, então vou tirar um sarro", meio como aquele bispo anglicano que perguntou a um evolucionista se ele descendia do macaco por parte de pai ou de mãe – o tipo de chiste que só faz mostrar o tamanho da ignorância do piadista. Infelizmente, muitas vezes a reação à piada acabava sendo ainda pior, revestindo-se de uma sisudez quase parnasiana. Acho que a Intempol consegue fazer a transição da paródia à sátira, com o mérito de não usar o humor como pretexto para incompetência (passamos de "claro que não é uma aventura emocionante, é só uma brincadeira" para "é uma aventura emocionante E é uma brincadeira"), algo muito raro nas tentativas brasileiras de gerar, deliberadamente, um produto de cultura pop.

CL – Vocês acreditam que ao termos assistido, em abril de 2006, um astronauta brasileiro nos céus de "brigadeiro", esse fato pode fazer com que o povo se interesse mais por ciência? Mesmo, sendo uma nação subdesenvolvida, podemos almejar repartir o espaço, como foi feito na partição da Antártica?


Octavio Aragão – Claro! Os frutos dessa viagem estão reservados para daqui a duas gerações, quando o imaginário coletivo amadurecer o conceito de um brasileiro no espaço, objetivo hoje ainda "reservado" para as nações do primeiro mundo. O papel do Pontes foi esse mesmo: estabelecer uma "ponte" entre o brasileiro médio e o inatingível, seja em termos físicos ou sociais. Dar asas à imaginação. Mal ou bem, se você chegar num bar de esquina e perguntar a um frequentador o que ele relaciona com ficção científica, automaticamente virão as palavras "astronauta", "foguete" e "espaço". Ou seja, isso ele reconhece. Não adianta ficar falando em engenharia genética pra ele, pois vai ter dificuldades pra figurar do que se trata. Pode até intuir, mas não fará uma ligação direta. O espaço já é parte de nosso imaginário, queiramos ou não. Não há motivo, então, para não desejarmos (ou acharmos que não devemos) tomar parte em sua exploração.


Osmarco Valladão – Talvez num número muito pequeno de casos, mas no geral a resposta é que não acredito que o astronauta brasileiro, por mais admirável que seja esse fato, vá ser responsável por um aumento no interesse pela ciência. Podemos e devemos. Primeiro porque se o espaço será repartido com base na igualdade entre as nações e/ou seres humanos, então todas as nações tem direito. Segundo porque não reivindicar esse direito é praticamente assumir que seremos sempre algum tipo de nação de "segunda categoria" em relação aos EUA ou à Europa.


Gérson Lodi – A ida de Marcos Pontes ao espaço foi um evento pontual. Não creio que influencie o interesse do povo pela ciência a longo prazo. Se não for dada continuidade ao Programa Espacial Brasileiro, não será um feriadão passado por um astronauta brasileiro em órbita baixa que fará alguma diferença. Sim, temos direito de almejar nosso lugar no espaço extraterrestre. Também temos obrigação de parar com esse papo de nação subdesenvolvida. E a única maneira de fazer isto é investir firme em educação para que o país deixe de ser subdesenvolvido numa geração.


Carlos Orsi – Espero ardentemente que a viagem do Marcos Pontes ajude o brasileiro médio a se interessar por ciência. A cultura brasileira tem uma tradição de desprezo olímpico pelo método científico, que nasce na teologia católica e se prolonga até o pós-modernismo, e bem exemplificada na condescendência com que a elite intelectual do início do século passado recebeu, por exemplo, a teoria da relatividade. Quanto ao espaço, não se engane: os modelos de exploração da Antártida e dos recursos das águas internacionais, baseados numa divisão equitativa entre os países, com uma visão baseada em benefícios coletivos para toda a humanidade, etc, não vai se repetir. A exploração econômica do sistema solar, quando começar, será competitiva, dura e pesada. E o Brasil corre um sério risco de perder o bonde.

CL – Explique-nos exatamente qual a filosofia por trás da história da Intempol?


Octavio Aragão – O homem tem de lidar com suas fraquezas sempre. Por maior poder que tenha, mais será seduzido pelas saídas fáceis, pela ganância. As maiores ditaduras da história sempre começam sob a pecha de "mal necessário". A Intempol é nossa maneira de dizer "abre o olho", brasileiro. É uma alegoria do poder. Como seria se nós fôssemos um país de primeiro mundo? Como nós nos enxergaríamos? Pior: como nos enxergamos agora? Quem somos? Será que, para países vizinhos como Bolívia e Paraguai, o Brasil não é até pior que os Estados Unidos, em termos imperialistas? Será que enxergamos o mal em nós mesmos? Estamos tão acostumados a reclamar do patrão, que não conseguimos ver como somos cruéis e pouco humanitários com aqueles que estão em situação econômica aparentemente inferior à nossa. A Intempol é isso. Um olhar "de fora para dentro". Quando temos o poder, somos sempre o vilão de alguém.


Osmarco Valladão – A filosofia do projeto, na minha visão, é como falei na primeira resposta: um laboratório aonde se experimenta esse escorregadio caminho da fc brasileira. Já a filosofia das histórias seria que um poder infinito criará uma infinita corrupção, uma infinita incompetência, etc. Aliás, isso é interessante. A fc americana tende sempre a considerar que existe um grupo que saberá usar os avanços tecnológicos em nome de um "bem maior". Nós somos mais céticos, parece que vemos a corrupção como uma inevitável característica humana.


Gérson Lodi – Polícia Internacional do Tempo. Criada em teoria para proteger nossa linha temporal
contra a ação de cronoterroristas, certo? Perfeitamente. Em teoria. Como a polícia foi criada para proteger os cidadãos cumpridores da lei, né? Pode ser que isto dê certo em outros lugares. Mas, no Brasil? Aqui a Intempol adquiriu algo do jeitinho brasileiro e não me refiro só a ginga, não. Isto também. Mas junto com a ginga veio a truculência de nossas polícias políticas dos tempos da ditadura; a corrupção endêmica em todas as esferas não poderia ficar de fora; isto tudo e muito mais.


Carlos Orsi – Pessoalmente, escrevo para a Intempol para me divertir. É o playground que o Octavio empresta para os amigos.

CL – Sei que há divergências a respeito das várias realidades paralelas, em relação à uma (hipotética) viagem no tempo; se o viajante retorna, ou não, para a sua própria realidade (ou linha do tempo). Qual a sua opinião sobre o assunto?


Octavio Aragão – Eu não tenho opinião. Acho fascinantes todas as probabilidades e não descarto nenhuma. Encaro a todas como alternativas para contar boas histórias. Sou como o Indiana Jones: acredito em tudo até que me provem que não exista. Aconteceu há pouco um fato curioso: um ilustrador de um dos projetos em quadrinhos queria mudar o teor de uma das histórias, que tinha diversos paradoxos que pareciam conflitantes, dizendo "ah, isso aqui é impossível! Isso não existe". Esse tipo de pensamento é que eu considero perigoso. Quem acha que sabe o que existe e o que não existe é alguém que acha que sabe o que é certo e errado, e esses são os que não pensam duas vezes em impor sua visão de mundo aos outros. Na Intempol o cara pode ir, voltar, ficar ou não. Pode tudo, contanto que esteja inserido numa boa história.


Fábio Fernandes – Minha opinião é a de que não faço a menor ideia, e acho que é isso o que torna as histórias de viagens no tempo tão atraentes. Se elas de fato existissem e pudessem ser inteiramente explicadas, perderiam a metade da graça.


Osmarco Valladão – Acho que eu sou o pior cientista do grupo todo, mas vou arriscar: se considerarmos como inevitável que uma viagem no tempo cause alterações no passado, então o viajante fatalmente retornará para uma realidade diferente, uma realidade modificada pela sua viagem. E eu acho quase impossível que uma viagem no tempo não cause alterações. Elas podem ser mínimas naquele momento, mas multiplicadas por um " efeito borboleta"...


Carlos Orsi – Como ficcionista, adoto a resolução que melhor funciona para a história que estou escrevendo no momento. Como filósofo, não tenho opinião formada.


Gérson Lodi – Linhas temporais divergentes abundam no universo ficcional da Intempol. A maioria dos contos admite que a história possa ser mudada. Os agentes que viajam ao passado para proteger
a continuidade histórica e são bem sucedidos neste trabalho regressam para seu próprio presente. Se algo der errado... Bem, em princípio, tudo pode acontecer... e em geral o que acontece é o inesperado. :-)

CL – Que técnica é utilizada para ser viajar no tempo, desde sua criação em 1901 por Henry Armstead Gonzales até em 2010, quando a Wells-Kodama cria a primeira máquina do tempo "oficial"?


Gérson Lodi – Acho que esta pergunta cabe ao criador do universo responder.


Carlos Orsi – Essa é pro Octavio responder, acho...


Fábio Fernandes – Esta resposta é engraçada, porque eu e o Octavio surgimos com explicações diferentes, e o Octavio achou que seria ótimo colocar as duas (na verdade, se não me engano, existem até mais de duas), baseado naquela história em quadrinhos clássica do Vingador Fantasma (DC Comics) em que se contam nada menos que QUATRO origens diferentes para o surgimento do personagem - e o leitor que escolha a sua, pois o autor da história deixa em aberto. Mas, para não fugirmos do assunto, a minha explicação é a seguinte: a máquina do tempo de Henry Armstead-Gonzalez (com hífen, please: o hífen é importante, pois o sujeito é um traço de união entre duas etnias e entre duas épocas) funciona exatamente de acordo com o princípio da Máquina do Tempo de H.G.Wells, de quem ele era fã. Na novela A Revanche da Ampulheta, eu tento explicar o funcionamento e a origem da máquina (ou confundir ainda mais o leitor, pois o surgimento da máquina é uma espécie de paradoxo positivo, ou seja, houve uma interferência de outra época para que a máquina pudesse ser construída efetivamente. Os anos entre 1901 e 2010 mereceriam uma história à parte, que (salvo engano) ninguém escreveu ainda. Mas acredito que os agentes da Intempol podem se deslocar com razoável grau de liberdade entre essas épocas. Não se esqueça de que, uma vez criada a máquina do tempo, podem ser realizadas viagens para todas as épocas da humanidade (tirando os Anos Interditos, mas isso aí é informação confidencial). ;-)


Osmarco Valladão – Até aonde eu sei, a técnica é digitar a data na caixa, passar o cartão e torcer para funcionar. Sinceramente, não tenho a menor ideia de como a coisa funciona. Mas eu não sou um agente de nível muito alto.

Seguidores